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A Infância do Centauro

 

INÍCIO  

Brisa fresca que atravessa o sertão das palavras

Depois da excelente recepção da crítica especializada, dando destaque para A terceira romaria (Salvador: Aboio Livre Edições, 2005), o poeta José Inácio Vieira de Melo traz à cena seu novo livro A infância do Centauro (São Paulo: Escrituras Editora, 2007), que tem lançamento marcado para o dia 22 de agosto, quarta-feira, das 19 às 22 horas, no Café Central, no Teatro Deodoro, em Maceió.

A infância do Centauro é composto de 81 poemas que estão distribuídos em sete seções. Os cinco primeiros capítulos contêm 41 poemas inéditos; os dois últimos trazem uma seleta de seus trabalhos anteriores: Códigos do silêncio, Decifração de abismos e A terceira romaria.

O livro tem ilustrações do artista plástico Juraci Dórea e conta com prefácio do escritor cearense, radicado em Pernambuco, Ronaldo Correia de Brito, que destaca a coerência da poética de José Inácio: “Em qualquer latitude que se mova é o mesmo poeta com sua bagagem de pastoral e modernidade”. A contracapa traz texto de Gerardo Mello Mourão, que assim definiu A infância do centauro: “Estamos diante da poesia pura. A vera e mera poesia, que surge nos poemas deste livro”.

As orelhas trazem comentários de Hélio Pólvora, Hildeberto Barbosa Filho, Ildásio Tavares, Lêdo Ivo, Moacyr Scliar, Olga Savary, Ruy Espinheira Filho e Marco Lucchesi, que afirma: “José Inácio Vieira de Melo é um poeta que me emociona. É preciso dizer isso desde o princípio. E sem tergiversar. Ele vai ao cerne das coisas. Com uma leveza na pronúncia, com uma forma delicada nos versos, e com uma brisa fresca que atravessa o sertão das palavras”.

Sobre o autor - José Inácio estreou na poesia em 2000, com o livro Códigos do silêncio, publicado pelo selo Letras da Bahia. Em 2002, foi a vez de Decifração de abismos, livro que despertou a atenção de críticos como Nelly Novaes Coelho, Fernando Py, Foed Castro Chamma e Maria da Conceição Paranhos. Em 2005, publicou A terceira romaria – Prêmio Capital Nacional de Literatura, do jornal O Capital, de Aracaju, Sergipe, livro este que recebeu uma intensa atenção da crítica especializada e foi alvo de várias resenhas no Brasil e em outros países. Em 2004, organizou Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia, livro que reúne 15 poetas e traça um panorama da nova poesia baiana. 

José Inácio Vieira de Melo é jornalista, co-editor da revista de arte, crítica e literatura Iararana e colunista da revista Cronópios. Em 2005, coordenou, ao lado de Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro, o Porto da Poesia na VII Bienal do Livro da Bahia. Coordena o projeto Poesia na Boca da Noite, em Salvador, do qual participam poetas de todas as partes do Brasil.

Seus poemas têm sido publicados em vários jornais e sites do Brasil e do exterior e em revistas como Continente Multicultural (PE), Poesia Sempre (RJ), Acauã (PB/CE), Polichinello (PA), Iararana (BA), Literatura (CE), Correio das Artes (PB), O Escritor (SP) e Autre Sud (França). Recentemente foi selecionado para integrar a coleção Roteiro da poesia brasileira, da editora Global, sendo um dos 45 poetas que comporão o volume correspondente à década de 2000; e foi convidado para participar do XI Festival de Poesia, em Cartagena de Índias, na Colômbia, que vai acontecer em dezembro deste ano.

A infância do Centauro é um livro que traz um aprofundamento no universo mítico e místico da poética de JIVM. Novos elementos são utilizados para dá corpo aos versos do poeta alagoano da Bahia, que se aproxima, cada vez mais, do surrealismo. Assim, o Centauro – símbolo que elegeu – é uma representação do vaqueiro nordestino, do cavaleiro medieval: o Cavaleiro de Fogo, o Centauro Escarlate, personas que o autor assume e, tal qual Quixote, sai ao encontro e/ou enfrentamento dos seus fantasmas. Nos três primeiros capítulos – “Centauro”, “Testamento” e “Chave” – essas tendências ficam bem evidenciadas. No quarto capítulo, “Herança”, o poeta glorifica a companhia de seu filho; no quinto, “Harém”, canta os encantos de suas musas. As duas últimas seções, “Jardim” e “Romaria”, trazem poemas dos três livros anteriores, possibilitando aos novos leitores uma apreciação panorâmica da obra de José Inácio Vieira de Melo.

 

Mais informações:

José Inácio Vieira de Melo

Fones: (73) 8118 9442 / 3526 1936 – (77) 3412 9138

E-mails: jivmpoeta@gmail.com, jivm.inacio@ig.com.br

 

www.escrituras.com.br

  

Comentários presentes em A infância do Centauro

  

Ainda quando reveste os poemas de uma transparência de mistério, resultante de dúvidas e inquietações próprias do ser, JIVM insiste na fidelidade às raízes por via de uma emotividade acentuada. A capacidade de ser o exegeta das situações e circunstâncias que o motivaram faz, porém, de sua poética um exercício de madureza que a transporta do plano regional para a universalidade dos sentimentos e vibrações.

Hélio Pólvora

 

 Este poeta alagoano da Bahia erige o ser como sua meta, a construção ôntica como tarefa, numa poesia que não teme o conceitual, mas que está sempre cortejando as mais íntimas configurações humanas.

Ildásio Tavares

  

Depois de Jorge de Lima, no início do século passado, José Inácio Vieira de Melo é o primeiro alagoano a dar os primeiros e decisivos passos nessa Bahia que “como todas as mulheres / tem os lugares sombrios mais gostosos”. Muito apreciei o seu lirismo cortante como o fio de uma navalha, uma poesia que, embora seca, esconde e guarda uma chuva secreta. Uma descoberta que tanto me alegra.

Lêdo Ivo

 

 Teu caminho é grandioso, José Inácio. Tens um indiscutível, notável talento poético, um talento que faz de ti uma das grandes vozes da nova poesia brasileira. Teu Moisés é simplesmente descomunal.

     Moacyr Scliar

 

A poesia de JIVM é forte e verdadeira como as algarobeiras alagoanas, e tem a beleza simples e profunda do verde que a rodeia, pura seiva, puro sangue.

        Olga Savary

  

Assim, expressando seu universo, sua atmosfera lírica, José Inácio é uma voz que todos nós escutamos. Ainda jovem, vai erguendo e refinando o seu canto. Um canto que nasce de fontes autênticas de vida, que é só de onde a arte pode nascer.

Ruy Espinheira Filho

  

O poeta José Inácio Vieira de Melo, alagoano como Jorge de Lima, encontrou também nos sortilégios da Bahia o registro da fala do silêncio, rompido desde o primeiro poema desta antologia.

Estamos diante da poesia pura. A vera e mera poesia, que surge nos poemas deste livro e que é aquela que não se infecciona nem se deprava com teses e causas sociais ou ideológicas, que serão boas ou ruins, mas não são a coisa do poeta e da poesia. Pois a poesia, como nos adverte Croce, é inútil. Isto é: ela não serve a nada e a ninguém, senão a si mesma, à expressão dos conhecimentos memoriais e imemoriais do poeta no passado, no presente e no futuro. Não suja suas sandálias nem em nosso hedonismo nem em nossas necessidades históricas. Seus caminhos se encontram para lá da história, no território ctônico do ser. Ela não trata do conhecimento lógico e conceitual, e só existe na verdade mera e limpa do conhecimento mágico, intuitivo, que não profere conceitos, até porque todo conceito é sempre um pré-conceito.

José Inácio Vieira de Melo sabe que o poeta é o fundador dos seres. Só ele pode trazer dos abismos a decifração de todas as formas do ser, para expressá-las na linguagem pura da metáfora.

Não há dúvida de que este livro anuncia e prenuncia um momento de beleza imperecível. De poesia propriamente dita.

Gerardo Mello Mourão

  

José Inácio Vieira de Melo é um poeta que me emociona. É preciso dizer isso desde o princípio. E sem tergiversar. Ele vai ao cerne das coisas. Com uma leveza na pronuncia, com uma forma delicada nos versos, e com uma brisa fresca que atravessa o sertão das palavras.

Há muito vento em sua poesia. Um sopro lírico, preciso e vigoroso, como o labor dos ventos sobre as rochas. Como se cada verso estivesse na iminência de se partir ou romper, pronto a ganhar – nesse estar prestes a – uma riqueza de tensão e significado. Mas o mistério resiste.  Do vento. E da pedra. De seus extremos realizados pelo poeta, como numa vertigem de alta precisão.

E as referências da terra e da Bíblia, da transcendência poética das coisas que nos cercam, emprestam ao todo o sentimento límpido – mesmo que áspero e terrível – do mundo arcaico, onde se faz e se revela a sua mais alta paisagem. Que vai além do apenas moderno – como escreveu Gilberto Freire – e que atinge em cheio o contemporâneo.

Nesse espaço, a poesia de José Inácio Vieira de Melo cresce ao mesmo tempo bela e solitária. Cresce. E ainda há de trazer novas surpresas.

Marco Lucchesi

 
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