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O cordel em tempo digital |
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Marcelo Amorim – repórter No Brasil, a literatura de cordel está diretamente ligada à cultura popular, ao homem simples do interior nordestino, onde essa manifestação surgiu, trazida pelos portugueses. A sua impressão, em folhetos rústicos geralmente expostos em bancas de feira e, preferencialmente, em cordões – daí a origem do nome cordel, que está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões, lá chamados de cordéis – faz com que essa forma de expressão aproxime-se mais de pessoas “iletradas”, por vezes chamadas de matutas. Mas engana-se quem acha que o cordel está distante dos centros acadêmicos ou que é produzido apenas por poetas populares. Atualmente, quando os cordelistas lamentam a falta de valorização e de apoio, em alguns casos, levantando até mesmo a possibilidade do fim desse folhetos, um jovem nascido em Arapiraca, formado em ciências da computação pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), tem na literatura de cordel o seu meio de expressão e de transformação social. Cárlisson Galdino é um poeta, contista e romancista que sabe muito bem o valor do cordel. Num estalar da consciência, daqueles que “luzes” se acendem e despertam valores e possibilidades inerentes às pessoas de bem, ele decidiu unir os seus dons literários aos ensinamentos adquiridos em sua formação superior. Defensor do software livre – sistema Linux – nessa época em que o computador passou a ditar o ritmo de vida das pessoas e na qual os programas de que todos dependem ainda custa caro, Cárlisson utilizou-se de suas criações e publicou o Cordel do Software Livre, distribuído para divulgação dos ideais desse movimento social. Esse foi seu primeiro trabalho como cordelista. “Acredito que o artista tem um importante papel de transformação social, devendo utilizar a arte para um fim maior do que mera exibição e entretenimento, por isso é comum eu colocar alguma coisa de idealismo naquilo que escrevo”, declara. A sua ação em favor da democratização da informática e, claro, a sua excelente criação literária fizeram com que o seu Cordel do Software Livre fosse adotado como instrumento de aprendizado no curso de informática da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na disciplina Lógica, Informática e Comunicação, ministrada pelo professor paraibano Emy Porto. “Cordéis têm uma estrutura interessante, um ritmo forte. Tenho buscado ritmo nas poesias que escrevo, e poesias populares de qualidade são especialmente ricas nisso. O cordel tem todo um conjunto de regras. Os seus versos estilísticos são muito complexos. Com ele não perdemos o vínculo com o regionalismo. Acho uma forma muito interessante de atingir o público. Na sala de aula acredito que aprender através da literatura de cordel fica mais suave e didático”, enfatiza Cárlisson Galdino. A sua defesa do Software Livre o tem levado a dar seqüência à publicação de cordéis voltados para esse tema. Cordel do BrOficce é o seu mais recente lançamento, também voltado para a inclusão digital. Nele, o poeta revela os benefícios e as facilidades do uso desse “pacote de escritório”. A sua consciência social faz com que Cárlisson exponha livremente os seus conhecimentos e idéias em benefício dos outros em seu site pessoal: http://bardo.castelodotempo.com. Nessa página, o internauta também pode entender melhor o que pensa esse jovem escritor, que não espera por recursos financeiros para lançar as suas criações literárias, que já incluem um livro de poesias publicado em papel, dois romances, diversos contos e poesias lançado em sua página pessoal na internet, além de seus cordéis. Reservado, mas extremamente criativo, Cárlisson Galdino nasceu em Arapiraca, em 1981, e, há dois anos, tornou-se membro efetivo da Academia Arapiraquense de Letras e Artes (Acala), ocupando a cadeira de número 37, do patrono João Ribeiro Lima. Atualmente, trabalha como funcionário da área de informática da Universidade Federal de Alagoas. |
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