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INÍCIO |
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Os militares reagiram com irritação ao livro "Direito à Memória e à
Verdade", documento oficial do governo acusando o regime militar por
torturas e mortes de opositores. Avaliam, segundo a Folha apurou, que o
livro é extemporâneo e não tem nenhuma novidade em relação a tudo o que há
anos vem sendo publicado sobre os chamados "anos de chumbo".
Os militares consideram incompreensível a decisão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de patrocinar o livro, assumi-lo como documento oficial e
ainda fazer cerimônia no Palácio do Planalto, hoje (29/08), para divulgá-lo.
Eles acham, ainda, que a história foi contada apenas por uma das partes
envolvidas, já que o seu principal responsável é o secretário de Direitos
Humanos da Presidência, Paulo Vannuchi. Ele foi militante da ALN (Aliança
Libertadora Nacional), principal organização da luta armada no final da
década de 1960 e no início da de 1970. Foi preso durante cinco anos e
torturado pelos órgãos de repressão na prisão.
Para os autores, o capítulo da Lei da Anistia, de 1979, que estendeu o
benefício aos agentes da repressão, é ainda hoje questionado por setores
jurídicos do país. Eles também defendem a decisão de 2004 que estendeu as
indenizações devidas às famílias de mortos e desaparecidos também às dos
torturados que depois se suicidaram, como Maria Auxiliadora Lara Barcellos e
Massafumi Yoshinaga.
Do outro lado, os militares acusam o trabalho de ter como objetivo aumentar
ainda mais o que eles chamam de "indústria da indenização de criminosos
políticos".
O Planalto não convidou até ontem à noite nenhum dos três comandantes
militares para o lançamento do livro, mas, se convidar, o comandante do
Exército, general Enzo Martins Peri, não irá nem enviará representante. Lula
e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, estarão presentes.
Oficialmente, o general justifica que estará em Buenos Aires para uma
reunião bilateral com comandos militares da Argentina. Ele viajou ontem e só
volta na quinta-feira de manhã. A verdade, porém, é que o livro, com carimbo
de documento do governo federal, contrariou as Forças Armadas.
A ordem do comandante é para que nenhuma declaração nem nota seja
distribuída à imprensa, dentro dos princípios da disciplina e da hierarquia
e da submissão ao poder político.
O Centro de Comunicação Social do Exército disse que "não se pronunciará a
respeito antes do lançamento oficial".
O livro está sendo lançado num momento de ajuste do Ministério da Defesa,
agora sob comando de Nelson Jobim. Os militares elogiam o estilo de Jobim,
que consideram de poucas palavras, mas afirmativo e de resultados. (Fonte:
Folha de São Paulo)
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