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Osvaldo Viégas - secretário estadual da Cultura
O que entendemos por mercado
cultural? O que há para discutir? Qual o desafio? Nestes tempos de crise
global, de crise dos mercados, em realidade, crise de valores relativos,
valorizações irreais e bolhas que se sobrepõem à economia real, cabe a
pergunta: o debate sobre a economia da cultura e o mercado cultural é
pertinente?
A resposta é: com certeza! E devemos pautar esta
discussão em uma visão realista da economia da cultura e de seu valor de
mercado. As questões que se colocam são múltiplas, em um mundo que passa por
profundas modificações, em curtos espaços de tempo. Qual o real valor da
economia da cultura? Qual a capacidade de absorção de mão-de-obra? Qual o
papel do Estado? O que representam as aceleradas mudanças comportamentais e
tecnológicas, o acelerado processo de inovação tecnológica?
Como se comportam aqueles que criam e aqueles que
produzem neste ambiente tão dinâmico? Como se dá o processo de difusão,
veiculação e consumo dos bens e serviços culturais?
A profusão de perguntas situa a complexidade do tema e
não me proponho, aqui, a respondê-las, mesmo porque não tenho todas as
respostas. O meu interesse é de situar a Secretaria de Estado da Cultura de
Alagoas (Secult) no tema. Para a atual gestão da Secult o ponto central de
sua missão, que define o seu posicionamento estratégico, é o compromisso com
a promoção do acesso a bens e serviços culturais, preferencialmente àqueles
que são “excluídos culturais”, cuidando especialmente de crianças e jovens,
cuja cidadania cultural está em construção.
Para isto, a existência e dinamização das bibliotecas
públicas dos 102 municípios alagoanos são fundamentais, assim como o uso
continuado dos 58 museus, memoriais e casas de cultura existentes no Estado
desempenha importante papel. A Secult vem atuando de forma sistêmica para o
crescimento das instituições e das ações vinculadas ao livro e à leitura e
ao registro de nossa história, de nossa memória.
Especificamente no casamento do acesso aos bens e
serviços culturais com o mercado cultural, dois projetos devem ser
mencionados: a “Caravana Cultural” e os “Caminhos da Cultura”. No caso da
Caravana Cultural, diversas linguagens, como dança, teatro, folclore, música
e audiovisual, são disponibilizadas aos menores municípios alagoanos,
valorizando, inclusive, os grupos locais que participam ativamente.
Neste caso há investimento direto da Secretaria, com o
pagamento de cachês, palcos, equipamentos sonoros e de iluminação, além de
ativar uma série de serviços correlatos, como propaganda local, transporte,
hospedagem e alimentação. Além dos investimentos complementares assumidos
pelas Prefeituras, que atuam como parceiras, os investimentos diretos
realizados em caravanas culturais, que atendem 3 municípios, por um período
de 3 dias, são da ordem de R$ 50 mil.
Recursos estes que circulam localmente e geram ocupação
e renda para mais de uma centena de pessoas. Estamos tratando da economia da
cultura, da cadeia produtiva vinculada a eventos, em um universo localizado,
de interesse para o Estado, promovendo a cidadania cultural e a inclusão
sócio-produtiva. Estamos “agitando” o mercado cultural local.
O projeto Caminhos da Cultura, por sua vez, apóia os
produtores culturais atuantes em nosso Estado, através do apoio da Secult,
especialmente através do pagamento das custas de ocupação dos nossos teatros
e casas de espetáculo — conhecida no meio artístico como a “pauta” do
teatro, ou equipamento cultural. Como contrapartida a esse apoio são
negociados ingressos aos espetáculos, distribuídos entre estudantes das
redes pública (preferencialmente) e privada de ensinos fundamental e médio.
Mais uma vez estamos agitando a cena cultural, investindo no mercado
cultural e promovendo a inclusão cultural de nossas crianças e jovens. A
estimativa é de que estaremos levando ao teatro, a espetáculos de dança e
eventos musicais, mais de 15.000 estudantes que não teriam esta
oportunidade. Isto para não citarmos cerca de 20.000 ingressos distribuídos
para espetáculos circenses.
Recentemente assinamos convênio com o Instituto
Histórico e Geográfico de Alagoas para, dentre outras ações, viabilizar a
realização dos Concertos aos Domingos, projeto tradicional daquela
centenária instituição cultural. Estamos, mais uma vez, através da
formalização de parcerias, articulando outras instituições que promovem a
agitação cultural. O acesso restrito àqueles espetáculos, de relevância
educativa no que se refere à música erudita, deverá ser suprido pelo
registro em vídeo, através da TV Educativa, e/ou TV Assembléia, para
posterior veiculação e uso em salas de aula.
Com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o Sebrae
promovemos recentemente a discussão sobre as cadeias produtivas da música e
do audiovisual, em dois seminários, para os quais trouxemos palestrantes de
outros estados, além do envolvimento de profissionais locais, visando gerar
uma reflexão estruturada sobre os desafios da economia da cultura e sobre a
importância de aproveitarmos, de maneira objetiva, as oportunidades do
mercado cultural. Ao tempo em que aquecemos o mercado cultural, é
importante, também, agitar a discussão teórica sobre o assunto.
Retomando a crise global, cabe dizer que o estouro de
bolha global, ou bolhas globais, não terá interferência direta sobre o nosso
mercado cultural local. Fica assim o convite à sociedade alagoana para
compartilhar do sonho e do trabalho de promover o mercado cultural alagoano.
Mas o convite se faz, sobretudo, para a parceria de promovermos a inclusão
cultural e, por conseqüência, social e produtiva, de grande parcela da
população alagoana, que se vê privada do acesso a bens e serviços culturais.
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