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Os Quarenta Anos do Bandido da Luz Vermelha |
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Por Elinaldo Barros O ano de 1968 foi um marco de transgressão no Cinema Brasileiro. Um jovem catarinense de 22 anos, Rogério Sganzerla, apresentou seu longa-metragem de estréia, “O Bandido da Luz Vermelha”, primeiro no Distrito Federal, durante o transcorrer do IV Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e depois em quarenta salas de cinemas espalhados pelo país. Uma ousadia para os padrões de distribuição e lançamento, na época. Foi um retumbante sucesso de público, sendo exibido aqui em Maceió na tela do Cine Lux, saudoso palácio de sonhos reluzentes em 24 quadros por segundo. Vencedor absoluto do IV Festival de Brasília, a obra do cineasta Rogério Sganzerla teve na mostra competitiva concorrentes de alto nível artístico: “Vida Provisória”, de Maurício Gomes Leite; “Fome de Amor”, de Nélson Pereira dos Santos; “Capitu”, de Paulo César Saraceni; “Jardim de Guerra”, de Nevile de Almeida; “O Bravo Guerreiro”, de Gustavo Dhal; “O Homem Que Comprou o Mundo”, de Eduardo Coutinho; a comédia em episódios, “Como Vai, Vai Bem?”; “Lance Maior”, de Silvio Back e “Copacabana me Engana”, de Antonio Carlos Fontoura. Filmes, na sua maioria, memoráveis. Creio que nunca houve seleção competitiva de tão alto nível na história do Festival de Brasília. “O Bandido da Luz Vermelha” teve seu argumento e roteiro inspirados nas páginas, fotos e reportagens da crônica policial paulistana. Durante um certo período um bandido inquietou as ruas dos bairros residências das gentes da chamada alta roda. Munido de um revólver, uma lanterna e um lenço cobrindo o rosto, o meliante João Acácio Pereira da Costa atormentou a paulicéia desvairada. Os jornais abriam manchetes em letras garrafais, noticiando seus feitos criminosos e os locutores das populares rondas policiais, com suas vozes cavernosas e estapafúrdias, espalhavam os fatos policialescos pelas ondas do rádio. São Paulo ganhou e conviveu durante um certo tempo com um bandido-mito. Calcado nesses fatos e feitos do bandido João Acácio, que também era natural de Santa Catarina, conterrâneo do jovem cineasta (será que isto foi uma motivação? ), o diretor de “A Mulher de Todos” (seu segundo longa) , impregnou seu filme de estréia com um tom de puro deboche, uma atmosfera anarquista, captando o sórdido e o cafona de São Paulo. “O Bandido da Luz Vermelha” foi uma transgressão estética ao modelo de cinema do então movimento do Cinema Novo, com suas abordagens envoltas em preocupações sociais e políticas. Além dos inflamados discursos de Glauber Rocha, o líder, dentro da linha da chamada “estética da fome”. Curiosamente, alguns anos antes, nas páginas do Jornal da Tarde e de O Estado de São Paulo”, o rapazola catarinense se destacava como um talentoso crítico cinematográfico e filiado às propostas do inquieto cineasta baiano. No lugar da estética da fome, irrompia na tela uma proposta experimental, psicodélica, captando tudo que tivesse a ver com a comunicação de massas: a tv, a música brega, o gibi, a fotonovela, o deboche e as altas influências do estilo do cineasta franco-suíço, Jean Luc Godard, então em altíssima cota. Citações e homenagens ao diretor de “Acossado “ e Pierrot le Fou - O Diabo das Onze Horas” saltavam na tela. E o público, de todas as camadas, reagiu bem. Depois, Sganzerla radicalizou a linguagem de seus filmes, denominados mais tarde como “udigrudis”, alusão ao movimento “underground” proveniente de Nova Iorque. Mas o “O Bandido da Luz Vermelha,” em seus 40 anos, chegou no formato DVD sendo uma ótima oportunidade para conhecer sua força cinematográfica. Em seu elenco as presenças de bons atores: Luis Linhares, como O delegado; Helena Ignez como a prostituta Janete e no papel do bandido Jorge (máscara nominal para evitar processos judiciais), Paulo Vilaça, um dos bons atores do Cinema Brasileiro. O cineasta Rogério Sganzerla faleceu em fevereiro de 2004, aos 57 anos de idade e seu derradeiro filme, “O Signo do Caos”, foi lançado em 2003 no 36 Festival de Brasília. |
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